Sexta-feira, Fevereiro 27

Usabilidade de Celular e o Problema da Samsung


Todo mundo tem um aparelho celular no Brasil, até mesmo a caseira caolha do meu atelier, devido à quebra de monopólio e à queda nos preços. O que me leva a concluir que as interfaces de celular são muito mais importantes para a usabilidade do que de qualquer outra máquina, tanto por relevância, tanto por frequência e abrangência de uso. Na Amazônia, o celular é popularíssimo, pois o custo de instalação de linhas fixas é muito alto devido às grandes distâncias e floresta densa, o que torna a instalação de um punhado de antenas no meio da selva muito mais viável economicamente. Até nossos índios usam celular, o que não é de espantar, mas o mais incrível disso tudo é que todo mundo, literalmente, consegue utilizar um celular. Devido a isso, ressalto a importância do design de interface de um celular, o que torna a usabilidade de interface para celular algo muito mais crucial do que usabilidade para computador, ou internet.

Muita gente pensa a usabilidade para o computador e para internet, como nós da Usability, por exemplo, mas são pouquíssimos os designers de interface para celular pois a maioria deles não vive no Brasil e porque em geral os fabricantes de aparelhos têm suas próprias equipes e são estrangeiros. Muito menos numerosos são aqueles que fazem design de tela de caixa eletrônico, que aliás, nem designers são, mas isso já é assunto para outro post.

O desafio é enorme: como encaixar aquele monte de menus e comandos ao alcance de poucas teclas em uma tela muito pequena. Mas os quesitos são poucos: poucos botões de navegação, comandos precisos (nomenclatura fácil e direta) e despoluição de ícones e gráficos e escolha de fontes, etc.

Numa pesquisa que fiz informalmente com algumas pessoas, a Nokia é de longe quem tem os aparelhos com a interface mais usável, os comandos são claros, as teclas de navegação são pouquíssimas, nunca tendo que recorrer a uma tal de tecla FCN (a "function key", derivada de calculadoras científicas, argh!) nem uma RCL, SET, etc... São 2 teclinhas bem ao lado da telinha ( uma para selecionar, outra para voltar), e mais uma seta pra cima e outra para baixo para scrollar de um comando para outro. É o mínimo necessário! O interessante da Nokia é que a interface muda pouco de aparelho para aparelho fazendo com que mesmo o cara que comprou o aparelho mais barato tenha uma boa navegação no celular, assim como o cara que comprou o top de linha. A interface é tão bem projetada que até tem navegação indicada em tabs e bread-crumbing! Não tem pra ninguém,é muito democrático, aliás, não se espera nada menos de uma empresa escandinava. A Ericsson, mesmo escandinava, fica um pouco atrás, melhorou um pouco com a fusão com a Sony, mas isso é porque a Ericsson é principalmente um fabricante daqueles equipamentos pesados de telecomunicações e não tem o seu foco principal nos consumer products. Mas isso está mudando. Mesmo assim, a navegação é ok. Mas apenas ok. A Siemens, alemã, tem interface também bastante funcional e agradável, o que a rankeia bem no topo da minha lista.

Na Motorola já começamos a ver essa distinção de navegação pelo preço do aparelho. Embora eu tenha um Motorola baratinho com navegação legal, via de regra a melhor usabilidade está nos aparelhos mais caros e mais bonitinhos. De uma certa forma, com a Motorola "you get what you are paying for". Mas para um celular popular o T120, está muito bom. Aliás, esse foi um ponto importante para ter escolhido um Motorola ao invés de um Nokia. Na verdade, a navegação desse aparelho é muito semelhante à do Nokia, o que me fez feliz. Mas tem certas coisas que não dá pra desculpar. Por exemplo, mudar a hora do meu aparelho. No Motorola T120, eu tenho que percorrer um labirinto para fazer isso. O caminho é: Main Menu>Settings>Other Settings>Initial Setup>Time&Date. Agora com a mudança do horário de verão, demorei um tempão para achar esse lugar. A minha avó de 90 anos nunca iria encontrar a alteração de hora em "other settings", muito menos em "initial setup"!! Esse é o teste derradeiro, tentar fazer a ação mais simples, e ver quantos passos até o destino, e analisar a nomenclatura dos comandos até chegar lá. Encontrei esse problema na Motorola, mas o acesso à agenda é facílimo, o que pra mim é uma grande coisa.

Quem perde feio nesse mundo é a Samsung. Não conheço nenhum usuário de celular Samsung que esteja satisfeito com o seu celular. Uma amiga minha desistiu de tentar gravar nomes na agenda. Fui tentar ajudá-la e demorei 3 tentativas até entender como era feito. Nunca vi tela tão poluída com ícones elaborados e desnecessários, excesso de opções e pouca praticidade na hora de escreve os nomes. Meu marido também tem um Samsung com joystick, controle de volume externo e outras firulas de ícones na interface que só atrapalham. Troquei o toque dele só de sacanagem e ele demorou uma hora para reestabelecer o toque antigo. Outra amiga descobriu um erro de programação (pasmem!) em um dos menus que, ao ser selecionado, zera a operação.

- Então porque você comprou um Samsung?, perguntei. - Porque era bonitinho.

E só.


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Quinta-feira, Fevereiro 26

Coat Hanger Usability
How to take all those clothes of the closet at once? Impossible.

Sometimes the simplest things are the ones that need Usability the most.

Take coat hangers, for instance.

My closet is very neat and tidy, specially for a guy. But I always have problems moving my clothes around it. I'm never able to take out several coat hangers at the same time. There are always some with the hooks turned inwards, some outwards, and I end up having to take them out one by one. It's a drag.

I've tried to establish coat hanging rules. I hereby declare that from this moment on all chothes shall be hanged with the hooks facing outwards. But it never works. Who remembers that when it's time to put away the clothes after laundry?

For all I knew, it was one of those simple yet unsoluble life's little problems.

Until today, that is, when I came accross this coat hanger with a movable hook.

Could anything be simpler, wiser, more usable?

It turns to one side......and to the other!












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Usabilidade de Cabide
Como tirar essas roupas todas de uma vez só? Não dá.

As coisas mais simples às vezes são as que mais precisam de Usabilidade.

Meu guarda-roupa é arrumadinho. Mas tenho problemas para movimentar minhas roupas daqui pra lá. Sempre que tento tirar várias roupas de uma vez só, nunca consigo. Alguns cabides estão voltados pra dentro, outros pra fora. Acabo sempre tendo que tirá-los um por um.

Já tentei instituir métodos. O cabide sempre fica com o gancho voltado para fora. Mas não dá certo. Quem é que lembra disso na hora de guardar roupa?

Sempre achei que fosse um daqueles problemas simples, mas sem solução.

Até que encontrei esse cabide, de gancho giratório.

Poderia ser mais simples, mais genial, mais usável?

Ele gira pra um lado...... e pro outro!











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Segunda-feira, Fevereiro 9

Mais Placas


Cancela do estacionamento do Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

A placa é insólita e chega a ser engraçada, mas não é por isso que vamos deixar de reconhecer seu valor.

O texto torna-se totalmente irrelevante para acompanhar uma placa tão forte, tão viva. Em um relance, já somos informados, sem margem para dúvidas, do que não podemos fazer e de qual será a penalidade para desobedecermos a proibição.

Namoro essa placa há tempos. A foto foi tirada pela Isabel, minha sócia na Usability, pois eu estava sem a minha câmera no dia.


Já o Sérgio, da Sirius, que fica no Downtown, nunca tinha reparado a placa, mas sentiu sua falta na pele, ou melhor, no cocoruto: vinha entrando no shopping lendo distraidamente o jornal e levou com essa mesma cancela na cabeça.


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Domingo, Fevereiro 1

The Ultimate Usability Test


Along the same lines as the Cockpit Usability article below, Eric Reiss brings us an example of deadly design, straight from Copenhagen.

In a period of six months, in 2001, three double-decker buses collided with the same bridge, killing dozens of people, many (ouch) beheaded.

A typical transnational bureaucrat (aren't they everywhere?) said it was too soon to draw conclusions. After all, the approach to the bridge was laden with signs, cones, warnings, blinking lights and the works.

Reiss comments: "Personally, I think it's far too late to be drawing conclusions - the shortcomings of the "standard" design have already been proven through the deadliest sort of usability testing."

He couldn't be righter: the question is no longer about placing blame (were the drivers drowsy, negligent?) or testing if the signage set-up works (it's already been tested and no, it doesn't work), but about changing everything, and changing fast.

Since the article is three years old, I asked Reiss what had happened later and he promised to write a follow-up.

Read the whole thing.


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O Teste de Usabilidade Definitivo


Na mesma linha do artigo Usabilidade de Cockpit, abaixo, Eric Reiss dá um exemplo de design mortal, direto da Dinamarca.

Em um período de seis meses, três ônibus de dois andares colidiram com a mesma ponte em Copenhagen, matando dezenas de pessoas, muitas (ugh) decapitadas.

Um típico burocrata transnacional (eles estão por todos os lados) disse que ainda era cedo para tirar conclusões e que o público não deveria se precipitar. Afinal, a ponte estava sinalizada com placas, avisos e luzes piscantes.

E Reiss comenta: "Personally, I think it’s far too late to be drawing conclusions - the shortcomings of the "standard" design have already been proven through the deadliest sort of usability testing."

Ele está certo: não é mais questão de decidir de quem é a culpa (os motoristas estavam distraídos?) ou de testar se o set-up funciona (já foi testado e não, não funciona), mas de mudar, e rápido.

O artigo é antigo, perguntei ao Eric o que tinha acontecido depois e ele ficou de escrever um follow-up.

Leiam o artigo completo.


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