Sexta-feira, Abril 30

Ok/Cancel: Tira Sobre Usabilidade

Quem diria. Toda semana, Tom Chi e Kevin Chang publicam uma nova tirinha, sempre espirituosa, engraçada e tudo a ver com o dia-a-dia de um profissional de Interação.

Para os monoglotas (existem profissionais lusófonos de usabilidade que não falem inglês?), o João, do Usabilidade.com, está disponibilizando as tiras traduzidas. Mas, sei não, o jargão de TI em portugal é tão diferente que acho que, para nós, brasileiros, fica mais fácil ler em inglês mesmo.

Veja aqui alguns exemplos de tirinha, leia a entrevista dos dois para o Usabilidade.com e visite o site da dupla para saber mais.

Como disse Chi: "A nível humorístico, penso que a nossa principal vantagem é a tira ser completamente devotada à usabilidade, o que é por si já bastante ridículo."










Envie por Email.

Segunda-feira, Abril 26

Dando Cabeçadas

No post anterior (leia antes de ler esse aqui), a Isabel só esqueceu de mencionar uma coisinha. Ela foi uma das muitas pessoas (sem dúvida alguma) a dar solenemente de cara naquela placa. Bem feito, pra aprender a andar olhando pra frente.

Não faz muito tempo, conforme contei em outro post, o Sérgio (pretenso colaborador desse blog) também levou com uma cancela de shopping na cabeça.

Ou seja, o placar está Shoppings da Barra 2 X Equipe do Blog de Usabilidade 0.

Tomara que eu não seja o próximo.


Envie por Email.

Domingo, Abril 25

Por Onde Anda o Espaço Público?

Há quase um século atrás, Le Corbusier publicava, em meio a muita controvérsia, o livro "Em direção a uma nova arquitetura" onde estabeleceu os critérios para a arquitetura e urbanismo funcionalistas e o pensamento sobre cidades e construções na era moderna Declarou que a casa é uma máquina habitável (a house is a machine to live in) e extendeu a mesma idéia para a cidade, que é uma verdadeira máquina que serve ao progresso científico e industrial e assim torna-se um agente democratizador da vida urbana.

Le Corbusier tinha uma visão futurista, mas não utópica, e estabeleceu que o automóvel e o transporte seria o grande definidor do espaço urbano para a modernização da cidade no século 20. Não obstante, seus planos urbanísticos, nos quais Brasília foi inspirada, por exemplo, sempre tinha como partido a construção de avenidas largas, e construção de rodovias perimetrais que facilitassem o acesso de um lado ao outro das cidades. Na fachadas dos prédios, defendia o mínimo de ornamento possível a favor da criação de fachadas modulares feitas com medidas padronizadas e uso de materiais que pudessem ser fabricados industrialmente em larga escala. O resultado é o que se vê em Brasília, nos edifícios do Rio de Janeiro e São Paulo, e também em qualquer cidade do mundo. É aquele estilo caixote de moradia em que a maioria de vocês leitores vive.

Passadas mais de 8 décadas desde a publicação do livro, hoje vivemos exatamente o que chama-se de "Corbusian Dream". Cada vez mais espaço público destinado aos carros, e cada vez menos espaço para o ser humano. Nossas calçadas são uma mistura de vaga de estacionamento, totens de publicidade e grades dos condomínios que, pelo menos no Brasil, invadiram os poucos metros de calçada que nos restavam. Adeptos desse urbanismo que sofre com a falta dos espaços de convívio, os americanos criaram o shopping center, uma mistura de espaço público com espaço de consumo onde os seres humanos entram e saem de carro. Os estacionamentos são tão pouco usáveis que nunca se pensou em arquitetar o trajeto que o ser humano faz desde o seu carro até a entrada do shopping.



Estas fotos foram tiradas na entrada de um shopping no Rio de Janeiro. Olhem o absurdo: estou andando na calçada (as poucas que lá existem) que vai do estacionamento até a entrada do shopping e, de repente, dou de cara com uma placa no MEIO da calçada, literalmente. Esta placa está direcionada aos motoristas que vêm do sentido contrário para atentarem ao fato de haver uma faixa de pedestres dali a 20 metros.

Quem projetou a tal placa talvez nunca tivesse imaginado que alguma idiota como eu passasse por ali a pé, pois, para continuar meu trajeto, tenho que sair da calçada, pisar no asfalto, correr o risco de ser atropelada, para depois retomar o meu trajeto na calçada e por fim entrar no shopping. Para os pedestres faltou o seguinte aviso "Cuidado, placa no meio da calçada. Desvie pelo asfalto."


Envie por Email.

Quinta-feira, Abril 22

Workshop de Arquitetura da Informação

A Jump Solutions está promovendo um Workshop de Arquitetura da Informação, em São Paulo, nos dias 14 e 15 de maio de 2004.

No primeiro dia, haverá uma palestra de Ricardo Almeida, criador da Metodologia Moebius de Planejamento, que abordará o desenvolvimento de processos digitais, e outra de Cláudia Obata, CEO da Alure e especialista em usabilidade, que ensinará técnicas de planejamento de interfaces.

A partir daí, a turma será dividida em grupos de trabalho e cada grupo receberá um exercício. O restante da sexta e o sábado serão destinados à criação de soluções práticas pelos alunos, que competirão com projetos de arquitetura mais inovadores. O projeto vencedor será inteiramente desenvolvido e lançado para o mercado, com divulgação feita pelo WebInsider.

A Jump Solutions está planejando trazer esse curso para o Rio de Janeiro em breve. Como nós, da Usability, também temos experiência na realização de workshops, estamos negociando uma parceria local.

Portanto, se você mora no Rio e teria interesse em participar de um evento assim, por favor, manifeste-se.

Saiba mais:
Workshop de Arquitetura da Informação - Jump Solutions
Workshops Corporativos - Usability


Envie por Email.

Domingo, Abril 18

Site de Detonação Nuclear Rejeitado por Infringir a Regra dos Três Cliques

Uma das regras de Usabilidade defende que qualquer parte importante de um site deve estar a, no máximo, três cliques da home.

Infelizmente, um estudo pelo expert Jakob Nielsen descobriu que o Presidente dos Estados Unidos precisaria de, pelo menos, nove cliques para detonar uma guerra atômica que exterminaria a vida no planeta. Com tantos cliques assim, diz o expert, existe o perigo de que o Presidente médio dos Estados Unidos possa perder o interesse e deixar de declarar o armagedon iminente para, quem sabe, ir checar os quadrinhos do jornal.

Leia o texto completo abaixo:

"Nuclear Launch Website Slammed for More-Than-Three-Clicks Interface

The website interface to the nuclear arsenal of the USA is to be completely re-written from scratch following an assessment by usability guru Jakob Nielsen last week.

Nielsen identified several glaring errors in the fundamental design of the site which, he says, may have prevented full-on global thermonuclear war from breaking out on more than one occasion.

The US Defense (sic) Department paid $4,500 per day for the consultancy, which took just one week. Among the problems identified were:

Non-intuitive icon based interface, with insufficient explanation of the meanings of the different symbols.

Use of frames, which are not supported by browsers prior to version 3.0

An over-long Flash intro movie with no 'Skip' capability

Bloated HTML code and unoptimised GIF and JPEG graphics, slowing the download of the page, particularly for Presidents with 56K modems.

But by far the worst crime committed by the designers is, says Nielsen, "the fact that it currently takes seven clicks to launch an all-out nuclear attack on an enemy nation. I mean, who the hell designed this thing anyway? An infinite number of monkeys? Have they never heard of the Three Click Rule? I honestly thought I'd put an end to this kind of idiocy when I published Designing Website Usability, but apparently I needn't have bothered."

The "Three Click Rule" states that all relevant parts of a website should be accessible within three mouse-clicks of the home-page. If more clicks than this are required, there is a very real danger that the average President of the United States Of America may lose interest, and call off the impending Armageddon, maybe deciding to check today's Doodie instead.

"I dread to think how many potential strikes have been lost through this simple, easily-avoidable mistake," moans Nielsen. "Just a simple jump-menu to allow the President to skip straight to the launch page would suffice."

The company responsible for the site, Funky Frootloop Designs, Inc., have defended what they call their "innovative, cutting-edge" site.

"The problem with this Nielsen dude is that he's stuck in 1997, guy," says Jon Latham, Creative Director at Frootloop. "Jump-menus are so dull. Functional design is important, yeah, but we wanted to create an experience that would draw the President in, an interactive process that actually makes him want to participate in a process that would almost certainly result in the annihilation of all life on Earth."

"Except cockroaches," interjects Flash expert Mike Hoepke.

"Yeah, except cockroaches," agrees Latham. "What you've got to understand is that, key to the whole Frootloop ethic is that each project we undertake should push the boundaries of the web that little bit further. We have to embrace new technologies like Flash and Beatnik, and come up with innovative uses for them, to enhance the nuclear launch process."

Hoepke explains: "Studies have shown that, while the President may abort a nuclear attack because of the imprecise nature of the interface, the site is more likely to stick in his mind if the Flash intro movie has sufficient impact. This increases the chance that he will return to the site at a later date, and quite possibly destroy every living thing on the face of the planet on one of those subsequent visits."

"Except cockroaches," he finishes.


Fonte: The Untitled Document (infelizmente, o site parece estar morto há anos)


Envie por Email.

Sexta-feira, Abril 16

Jornalistas e Seus Blogs

Excelente matéria sobre as difíceis relações entre jornalistas e seus blogs. Podem os jornais controlar os blogs dos seus jornalistas? No Liberal Libertário Libertino.


Envie por Email.

Segunda-feira, Abril 12

Blogs de Usabilidade em Português

Um dos grandes objetivos desse blog, e também do meu Guia de Usabilidade, é começar a criar uma verdadeira comunidade lusófona de Design de Interação. Somos poucos, estamos espalhados e mal nos falamos. Isso precisa mudar.

Acompanhando a cena internacional fica claro que os elementos mais dinâmicos dessa comunidade são, justamente, os blogs. Eles são os termômetros dos assuntos mais quentes, das polêmicas, de quem está trabalhando onde.

Nada faz mais falta aos profissionais lusófonos de Usabilidade do que isso.

Ou fazia.

O movimento já está começando. Aqui e ali, pululam, solitários e tímidos, blogs sobre Usabilidade, Arquitetura da Informação, mediocracia e cibercultura.

Mas não basta só existirem. A gente tem que se conhecer, trocar idéias, nem que seja trocar farpas.

Estou fazendo minha parte. Eis aqui alguns dos blogs que consegui encontrar. Todos já estão linkados na minha coluna da direita. Se você tem um site ou blog de tema correlato, me avise, que eu te linko.

Usabilidoido
Atualmente, o meu preferido. Frederick van Amstel mantém um dos melhores e mais ativos blogs sobre Usabilidade em português, com foco em hipermídia e Flash. Vale muito a pena.

Carreira Solo
O carioca Mauro Amaral trabalha com conteúdo e arquitetura da Informação. Em seu blog, ele fala das agruras, ansiedades e recompensas de quem optou pela carreira solo: os free-lancers.

I Do My Own Stunts
Apesar do nome em inglês, o blog do brasileiro Fabricio Zuardi fala de temas relacionados à tecnologia e design, sempre com muito humor.

Hyperspace Gate
Tecnologia, cibercultura, comunidades online, gonzomarketing, gerenciamento do conhecimento, software livre, teoria da conspiração e tudo mais que você puder imaginar. Divertidíssimo e eclético.

Carolina Vigna-Marú
A designer Carolina Vigna-Marú mantém um blog à moda antiga: lindo, pouco papo e muito link.

Idéias Digitais
O blog da portuguesa Inês Amaral é dedicado exclusivamente à assuntos como mediocracia, cibercultura, design, interatividade e acessibilidade. Graças a ela, eu descobri um plágio vergonhoso que estava sendo feito contra mim.


Para mais sugestões de sites sobre Usabilidade, Arquitetura da Informação e Design de Interação, não deixe de visitar o Guia de Usabilidade.


Envie por Email.

Sexta-feira, Abril 9

Plágio e Usabilidade

Eu até entendo as pessoas mentirem. O que eu não entendo são aquelas mentiras que são tão fáceis de pegar que só fazem humilhar o mentiroso.

Plágio de textos de blogs é coisa comum. A blogosfera é gigantesca, são boas as chances de você nunca ser descoberto.

Mas o mercado de Usabilidade é um ovo. E o mercado de Usabilidade lusófono é um ovo de codorna. Todo mundo circula pela mesma meia dúzia de sites e blogs. As chances do seu plágio não ser percebido são ínfimas.

Meu conselho: se você pretende viver de Usabilidade, escrever seus próprios textos sobre o assunto é um bom começo.

Plágio

Estava usando o Technorati para ver quem linka pra cá, e descobri o simpático blog Idéias Digitais, da portuguesa Inês Amaral. Subitamente, no post de 7 de abril, eu me deparo com um trecho muito familiar:

O trecho copiado de mim, na página de Usabilidade do Ergonomia Online - Clique para ver em tamanho maior"A Usabilidade é uma metodologia científica aplicada na criação e remodelação de interfaces de websites, intranets, aplicativos e produtos de modo a torná-los fáceis de aprender e de usar.

Benefícios da Usabilidade

- Maior número de transacções bem sucedidas
- Diminuição da evasão de utilizadores por desistência
- Aumento da eficiência do site/produto
- Menores custos de formação
- Maior fidelidade do utilizador ao produto
- Percepção positiva da empresa"


Esse textinho foi originalmente escrito por mim para a página de Usabilidade do SobreSites Consultoria, em 2001. Em 2002, a SobreSites Consultoria virou Usability e esse texto atualmente mora no site corporativo da empresa.

Eis a versão original:O trecho, no seu lugar de direito, na página da Usability - Clique para ver em tamanho maior

"Usabilidade é uma metodologia científica aplicada na criação e remodelação de interfaces de sites, intranets, aplicativos, jogos e produtos de modo a torná-las fáceis de aprender e de usar.

Benefícios da Usabilidade

- Maior número de transações bem sucedidas no site
- Diminuição da evasão de usuários por desistência
- Aumento da eficiência de seu site/intranet
- Custo menor de suporte e treinamento
- Maior fidelidade do usuário ao seu aplicativo ou jogo
- Percepção positiva da empresa"


Reparem que o safado tirou as referências aos jogos. Aparentemente, para ele, jogos não precisam de Usabilidade.

Além disso, teve a pachorra de lusitanizar o texto, trocando usuários por utilizadores, e outras pequenas mudanças. Também trocou o gênero de "torná-las" para "torná-los", pois interface, em Portugal, é masculino.

Quem É O Culpado?

Aparentemente, não a Inês. O trechinho, também citado em seu outro blog, Conversas de Café, ela tirou de um terceiro site. Mas, como a Inês é uma boa menina, ela segue a prática culturalmente aceita nos meios intelectuais do Ocidente: cita a fonte do texto e ainda dá o link. Fui atrás.

Que coisa feia. O meu texto plagiado (e outros!, mas já chego lá) estava no site Ergonomia Online, portal dos alunos da Licenciatura em Ergonomia da Faculdade de Motricidade Humana - Universidade Técnica de Lisboa.

Não é um site oficial da universidade, mas é um site universitário, caramba! Que tipo de profissional essas pessoas vão ser? Você pagaria para um plagiador analisar sua interface?

Para constar, o Departamento de Ergonomia da FMH é dirigido pelo Prof. Doutor Francisco Rebelo.

Mais Plágio

A seção de Avaliação Heurística do Ergonomia Online foi quase que completamente chupada da página de Avaliação Heurística do site corporativo da Usability.

Observe as incríveis coincidências de conteúdo:

O trecho copiado de mim, na página de Avaliação Heurística do Ergonomia Online - Clique para ver em tamanho maiorErgonomia Online:

"Análise Heurística

Os peritos em usabilidade realizam, individualmente, uma avaliação heurística da interface com base numa lista pré-determinada de critérios de navegação e usabilidade. Cada critério é analisado em separado pelos consultores, que verificam se a interface apresenta problemas em relação àquele critério, e qual o grau de severidade do problema.

Escala de Gravidade dos Problemas de Usabilidade

A gravidade de um problema de usabilidade é uma combinação de três factores:

Frequência: quantas vezes ocorre? É comum ou é raro?

Impacto: é fácil ou difícil de ser superado pelos utilizadores?

Persistência: é um problema que afecta os utilzadores apenas uma vez (e depois de aprender a resolvê-lo, o problema desaparece) ou é um problema que vai incomodar os utilizadores várias vezes?"


Usability:O trecho, no seu lugar de direito, na página de Avaliação Heurística do site da Usability - Clique para ver em tamanho maior

"Os experts em usabilidade realizarão, individualmente, avaliação heurística da interface com base em uma lista pré-determinada de critérios de navegação e usabilidade. Cada critério será analisado em separado pelos consultores, que julgarão se a interface apresenta problemas em relação àquele critério, e qual o grau de severidade do problema.

Escala de Gravidade dos Problemas de Usabilidade

A gravidade de um problema de usabilidade é uma combinação de três fatores:

- Freqüência: quantas vezes ele ocorre na interface? É comum ou é raro?

- Impacto: ele é fácil ou difícil de ser superado pelos usuários?

- Persistência: é um problema que afeta os usuários somente uma vez (e depois que o usuário aprende como resolvê-lo, ele desaparece) ou é um problema que vai incomodar os usuários repetidas vezes?"


Estranhamente, nenhum dos meus três sites sobre Usabilidade, todos bastante populares, aparece na página de links do Ergonomia Online: esse blog, o meu Guia de Usabilidade e o site corporativo da Usability.

Por que será?

Plágio com Fins Comerciais?

Alguns de vocês devem estar pensando que fiquei histérico, que estou fazendo tempestade em copo d'água. Pode ser, mas também sou escritor profissional e trabalhei a vida inteira com conteúdo. Encontrar um parágrafo meu no site de outra pessoa, sem crédito, sem link, com erros de concordância!, é muito perturbador.

Aí, você bate no meu ombro e diz: deixa pra lá, Alexandre. É só um bando de estudantes, todo mundo é meio sem noção nessa idade. Devem ter feito o site correndo, pegaram uma coisa daqui, outra dali e esqueceram de dar o crédito.

É. Coitadinhos. Me dá uma pena.

Detalhe do rodapé da página de Avaliação Heurística do Ergonomia Online - Clique para ver em tamanho maiorSó um tem um problema: no rodapé da página de Avaliação Heurística do Ergonomia Online, há o seguinte aviso: "(para mais informações consulte: www.seisdeagosto.com)"

O Seis de Agosto é mantido pelo espanhol Juan Leal, ex-aluno do curso de Ergonomia da FMH. Verdade seja dita, naveguei o Seis de Agosto todo e não encontrei nenhum conteúdo que pudesse ser identificado como plágio, de mim ou de outros.

Não consegui ainda decifrar o mistério desse plágio. Por enquanto, estou apenas compartilhando com vocês (e, mais importante, registrando oficialmente) todos os dados que apurei.

Resposta do Prof. Doutor Francisco Rebelo

O Prof. Doutor Francisco Rebelo, responsável pelo Departamento de Ergonomia da FMH, me mandou o seguinte email malcriado:

"É com profunda indignação que vos respondo. Não existe nenhuma relação entre o site do Departamento de Ergonomia da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, com os sites referidos. O facto de alguns antigos alunos nesta Faculdade, que agora são ergonomistas no mercado, terem "plagiado as vossas informações" não nos responsabiliza de nada. Seria o mesmo que chamar bandido a um Professor de uma Universidade de Direito pelo facto de um antigo aluno ter comedido um homicídio. Assim exijo um pedido de desculpas e que se retire as informações infelizes colocadas no vosso site."

Caro professor, tem razão de ficar indignado. Eu também fiquei, enquanto plagiado, e também ficaria se soubesse que meus alunos, ou ex-alunos, são plagiadores. O fato de serem agora "ergonomistas" no mercado é triste. Não vejo porque eu teria que pedir desculpas pelo "ofensa" de mostrar publicamente o crime que seus alunos, ou ex-alunos, cometeram contra mim.

Por fim, qualquer boa vontade que eu pudesse ter em relação ao senhor sumiu quando vi o "plagiado as vossas informações" entre aspas. Se duvida de mim, vá apurar minhas denúncias. Passar bem.

Resposta do Webmaster Ivo Gomes

O webmaster do Ergonomia Online, Ivo Gomes, cujo email é ergo@sapo.pt, me mandou a seguinte mensagem:

"Alguns conteudos a que se refere foram sem dúvida copiados do seu site e sem a devida autorização. Tem razão em manifestar a sua indignação em relação a este aspecto, no entanto não tem razão ao apontar as responsabilidades para o departamento de ergonomia da faculdade de motricidade humana, nem para a universidade nem para o prof. francisco rebelo uma vez que o site foi construido por alunos e é independente da universidade. O site oficial da faculdade é http://www.fmh.utl.pt/ergonomia. Os conteúdos copiados do seu site foram os relativos aos benefícios da usabilidade e à análise heurística. Como o site é concebido com a colaboração dos alunos, vou tomar providências para identificar o aluno responsável pelo texto e retirar os conteúdos copiados do seu site. (...) Finalmente só quero dizer que o site Ergonomia Online não tem fins comerciais nem lucrativos, serve apenas para divulgar a ergonomia e a aplicação que ela pode ter no dia-a-dia em lingua portuguesa."

Os trechos apagados se referiam a correções no meu texto que eu já fiz.

Agradeço ao Ivo a rapidez na resposta e a educação no tom.

O conteúdo plagiado já foi retirado do ar, mas eu ainda assim gostaria de saber o nome dos responsáveis.

O que não vai sair do ar é esse post. Certas coisas não devem ser esquecidas e plágio é uma delas.


Envie por Email.

Quarta-feira, Abril 7

The Visual Thesaurus

Não, esse blog não morreu, nem vai morrer. Mas março e abril é quando todo mundo decide fazer tudo o que foi sendo adiado desde novembro e ficamos inundados de trabalho. Naturalmente, entre novembro e março, quando ninguém faz nada, temos tempo de sobra para escrever.

Estou com um post bem interessante programado, mas antes, preciso dar uma olhada em uma cópia do Design of Everyday Things. Deve ir ao ar nos próximos dias.

Agradeço a todos os que visitam e comentam. Adorei suas opiniões e sugestões sobre o mistério da máquina de café.

Linquem para gente que linkamos de volta pra vocês. É só avisar.

Por enquanto, fiquem com esse link sensacional, imperdível para qualquer um que trabalhe com design de interação ou arquitetura da informação: The Visual Thesaurus.


Envie por Email.

Domingo, Abril 4

Usabilidade de Máquina de Café

A vida é um Teste de Usabilidade.

Eu e minha sócia estávamos passando o dia em cliente. Ela foi se servir de café, voltou, eu fui me servir de café, voltei. Ficamos conversando sobre o projeto em questão até que eu reparei na cara feia dela:

"O que foi?"

"Argh, o café está muito doce. Não tinha como vir sem açúcar."

"É," Concordei "Eu também não vi."

Mas aquilo ficou me encucando. Especialmente a certeza dela. Ela não disse que não descobriu como fazer o café vir sem açúcar: ela disse que não tinha como vir sem açúcar.

No meio da reunião, me levantei e fui até a máquina.

Obviamente, havia uma opção para que o café viesse sem açúcar. Estranhamente, entretanto, a opção estava bem vísivel, era o primeiro ítem no topo da lista de seleções e ainda estava em cor diferente, em vermelho.A fatídica máquina de café - Clique para ver em tamanho maior

Como conseguimos não ver?

Teste de Usabilidade Espontâneo

De qualquer modo, o Teste de Usabilidade da Vida estava feito e a máquina não passou. 100% dos dois usuários testados (uma amostra pequena, é verdade) não encontraram a opção que buscavam. Isso é fato. Inquestionável.

Cabe a nós tentar descobrir por quê.

Não é fácil. Em uma segunda análise, a máquina não poderia ser mais clara. A opção "Regular Açúcar" está duplamente destacada, tanto por seu posicionamento (é a primeira) quanto graficamente (é a única em cor diferente, e vermelho ainda por cima).

Mas não podemos manipular os resultados do teste. A máquina não passou. Por quê?

Critério Heurístico: Naturalidade da Linguagem

Sou homem de conteúdo, então talvez eu esteja sendo parcial, mas só uma explicação me parece factível.

O verbo regular, significando dosar, é muito pouco usado no Brasil. Para um brasileiro médio, a palavra regular evoca lembranças de conceitos escolares, bom, regular, fraco. Como a palavra está sendo usada numa acepção incomum, o usuário nem mesmo a reconhece num relance.

Além disso, usuários escaneando as opções de uma interface, principalmente se lendo uma lista, não lêem cada ítem até o fim. Seus olhos se movimentam verticalmente, lendo apenas as primeiras palavras de cada linha, e depois descendo.

Minha teoria: nossos olhos passaram batidos pela palavra regular que, pra nós, naquele contexto, não queria dizer nada, e foram direto para as opções de sabores de café mais abaixo, nunca nem registrando a palavra açúcar ao lado de regular.

Primeira pergunta: vocês concordam com a teoria? O que mais acham que pode ter causado o problema?

Segunda, e mais importante: dado o resultado catastrófico do nosso Teste de Usabilidade espontâneo, o que vocês modificariam na interface da máquina?


Envie por Email.